EZTEC na Mídia

SÃO PAULO - O Banco do Brasil Investimentos iniciou na última semana a cobertura das ações da EZTEC (EZTC3), com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20,00 para dezembro de 2011, o que representa um upside de 47,7% em relação ao fechamento de quinta-feira (23). Para o bancora, o cenário macroeconômico ainda guarda potencial de crescimento nos próximos anos e a EZTEC está especialmente bem posicionada em São Paulo, um dos mercados mais competitivos do País.

Estratégia

Longe do segmento de baixa renda e sem intenção de participar do plano ‘Minha Casa, Minha Vida‘, a EZTEC mantém a estratégia de crescer dentro dos mercados em que já atua. A empresa está há 30 anos inserida no mercado de imóveis de São Paulo, com foco em empreendimentos de médio e alto padrão.

"A EZTEC é atualmente a incorporadora de capital aberto com as melhores margens do setor, mesmo atuando em uma das regiões mais competitivas do país", afirmam em relatório os analistas Henrique Koch e Wesley Pereira Bernabé. Para a dupla, as principais vantagens competitivas da empresa centram-se no modelo de atividades integrado, elevada rentabilidade, experiência e reconhecimento da marca, além da situação financeira confortável.

Atividades integradas

A atuação da construtora em todas as fases do processo produtivo traz um modelo eficiente e que gera ganhos de escala e maior poder de barganha entre fornecedores e prestadores de serviços e melhor controle de custos. Apesar dos concorrentes adotarem estratégia semelhante, a rentabilidade da EZTEC é superior, o que comprova seus ganhos de sinergia e experiência.

Alta rentabilidade

Para a continuidade dos elevados patamares no setor, a empresa deve continuar a adquirir terrenos em dinheiro, formando um banco de terras bem localizado e de custo baixo. Outro ponto positivo é que as obras normalmente se iniciam com uma antecedência de 6 meses após o lançamento, metade do tempo de que a concorrência necessita para dar o pontapé inicial em seus projetos.

Ademais, a empresa possui uma equipe própria de construção e incorporação, que além de permitir economia com comissões, gera maior controle dos serviços, melhor performance de vendas e relacionamento com clientes.

Experiência no setor

A empresa possui um histórico de cumprimento de prazos de entrega e qualidade de empreendimentos bastante positivo. Ademais, tem vasta experiência no mercado paulista e elevada velocidade de vendas de lançamentos.

Posição de caixa confortável

Por fim, a EZTEC possui em caixa R$ 134,3 milhões, frente a um endividamento bruto de R$ 55,8 milhões, segundo os dados divulgados no terceiro trimestre deste ano. Com o dinheiro, "a companhia pode dar prosseguimento a sua estratégia de aquisição de terrenos e crescimento com baixa alavancagem", diz o BB Investimentos, em relatório.

Perspectivas macroeconômicas

A geração de empregos e aumento de renda da população nos últimos anos, somados à elevação da disponibilidade de crédito para o financiamento imobiliário, trazem um bom momento para o setor de construção civil. Para o banco de investimentos, "a demanda deverá continuar aquecida nos próximos anos", mesmo com um possível aperto monetário.

"Entendemos que, apesar do cenário de política monetária com viés restritivo esperado para o curto prazo e da elevada concorrência entre as incorporadoras, o ambiente deverá seguir propício para o desenvolvimento de um mercado imobiliário mais robusto", dizem os analistas Henrique Koch e Wesley Pereira Bernabé. Neste contexto, a dupla acredita no crescimento da EZTEC, que tem conseguido se sustentar sem prejudicar as margens operacionais.

Mercado imobiliário: disponibilidade do crédito é principal fator de crescimento

O BB Investimentos avalia que a elevação do crédito permitiu diminuir a demanda reprimida havia muitos anos, que impedia o crescimento do setor de forma mais consistente. "Considerando o elevado valor dos imóveis relativamente à renda da população, as famílias necessitam financiar boa parte do montante, numa decisão que pode comprometer seu orçamento doméstico por vários anos", explicam Koch e Bernabé.

Os eventos de infraestrutura para os próximos anos também prometem movimentar o setor. As duas ocasiões mais importantes serão a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. As instalações para as competições devem valorizar regiões próximas, revitalizar algumas áreas e melhorar a infraestrutura das cidades, projeta o BB.

Além disso, o governo dará segmento ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que pretende construir até 2014 um total de 3 milhões de moradias. Segundo o último dado disponibilizado pelo Ministério das Cidades, o país necessita de 5,8 milhões de moradias, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste, que concentram mais de 70% do déficit total.

Riscos

Os analistas alertam, no entanto, para os riscos de crescimento abaixo do esperado da atividade econômica nos próximos anos, menor disponibilidade de recursos no mercado de capitais, aumento de concorrência, pressão na cadeia de suprimentos para a construção civil e esgotamento das fontes de financiamento para o setor.

FONTE: InfoMoney - 27.dezembro.2010