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SÃO PAULO - Em 2011, a necessidade de investimentos em infraestrutura e a evolução do consumo figuram como os dois principais drivers de expansão da economia doméstica este ano. Ao menos esta é a opinião do BB Investimentos, que ainda ressalta a tendência de estabilização da economia europeia, a manutenção da forte demanda chinesa e a recuperação econômica dos Estados Unidos como os principais drivers externos.

Mesmo com a alta prevista na taxa básica de juro brasileira, a expectativa é que o investimento privado avance, apoiado na continuidade do fluxo de investimento estrangeiro e na melhora dos países desenvolvidos. "Assim, o saldo comercial brasileiro crescerá, bem como a corrente de comércio, favorecido também por certa elevação dos preços das commodities internacionais", diz a corretora.

Enquanto o País inicia um novo ciclo favorável, cuja expansão média anual deve ser de, ao menos, 5% a partir de 2011, o varejo e a indústria devem continuar crescendo, assim como o nível de concessão de crédito e a renda total, além do avanço das commodities agrícolas.

Desta forma, o BB Investimentos aposta que o País ascenderá mais um grau na escala de investimentos em 2011, com o Ibovespa alcançando a marca dos 86 mil pontos ao final de dezembro, o que garante um potencial de valorização de 21% frente o último fechamento.

Em relação aos destaques setoriais, as ações da Petrobras guardam um bom potencial de recuperação, pelo aumento da produção interna de óleo e gás e o crescimento do mercado interno de derivados e gás natural. Por sua vez, a construção civil deve se manter atrativa, apoiada nos programas governamentais de moradia, enquanto as Olimpíadas e a Copa do Mundo podem favorecer o setor de transportes, logística, bens de capital e veículos pesados.

Confira as perspectivas por setor:

Agronegócio

O consumo aquecido no mercado interno levou os preços de commodities agrícolas e da arroba bovina a atingirem ganhos anuais representativos em 2010, em um movimento de recuperação dos patamares vistos durante o ano de 2009 e o primeiro semestre de 2010. Apesar disso, a trajetória de desvalorização do dólar acabou prejudicando por demais as exportações de proteínas, que, embora aquém do esperado, cresceram no último ano.

O BB Investimentos considera que a injeção de liquidez mundial com pacotes de estímulo, a elevada estimativa de consumo interno e também de exportações, justificam o progressivo crescimento dos preços das commodities agrícolas este ano. Ao mesmo tempo, o fenômeno La Niña, que ocorre nos Estados Unidos, Argentina e Brasil, tende a provocar secas e, consequentemente, elevar ainda mais os preços.

Em 2011, a demanda por matérias-primas agrícolas deve seguir em alta, em grande parte por conta do crescimento dos países emergentes e da recuperação da economia norte-americana, que deve mostrar sinais de consolidação ao longo do ano. Por outro lado, o setor terá como desafios a administração da alta do custo de insumos agrícolas e o efeito do câmbio nos resultados.

As top picks do setor são SLC Agrícola, cujo desempenho em bolsa deve acompanhar a evolução das commodities, e a Brasil Foods, por ser uma empresa consolidada no mercado interno, menos alavancada e com maior participação de produtos processados em sua receita. Entre os frigoríficos, os papéis da JBS e Marfrig, que sofreram perdas de 22,8% e 18,7% no ano passado, ainda guardam espaço para uma recuperação no curto prazo, diz a corretora.

Bancos

Em 2010, a demanda por crédito por parte do segmento pessoa física, medida pela Serasa Experian, cresceu 16,4%, contra 1,2% no ano anterior. Ao mesmo tempo, sua disponibilidade avançou 20,8% em doze meses (novembro/2010), puxada por linhas de consignado, e crédito pessoal, que cresceram 28,1% e 24,8%, respectivamente.

Diante de números tão positivos, neste ano a tendência é de uma demanda ainda aquecida por financiamentos, mas em patamares mais graduais. O BB Investimentos projeta crescimento de 18% no nível de concessão de crédito ao final de 2011, atingindo 51% do PIB.

A perspectiva é que este crescimento aconteça principalmente no primeiro semestre do ano, devido à taxa de desemprego relativamente baixa e à intensificação dos investimentos. Além disso, a queda na inadimplência e a perspectiva de spreads maiores, devido ao aumento de custos de funding, proporcionarão margens financeiras ainda mais atrativas aos bancos.

Mudanças na política monetária mostram-se como o principal risco ao setor em 2011. A provável elevação do juro, como também não descarta-se semelhante processo aos depósitos compulsórios, podem reduzir tanto a oferta como o ritmo da demanda por crédito.

No setor, a preferência do BB Investimentos fica com o Bradesco, devido ao seu foco no crescimento orgânico e no mercado doméstico, a meta de diversificação de seu portfólio de clientes e alcance geográfico, avanço consistente em produtos de crédito e sinergias de importantes projetos concluídos em 2010. "Também acreditamos que, em 2011, o banco terá condições de melhor reunir, em seu conjunto, rentabilidade, retorno ao acionista, elevação de margem financeira e incremento do resultado operacional".

Bens de Capital

Os setores automotivo e de bens de capital guardam perspectivas positivas para 2011, embora seu ritmo de crescimento é passível de desacelerar frente os números de 2010, em linha com o comportamento da economia. Parte do crescimento mostrado no último ano correspondeu à recuperação do que deixou de ser produzido durante a crise financeira. No período, as indústrias puderam eliminar os estoques de 2009, ocupar sua capacidade ociosa e, então, fazer novos investimentos.

Nos próximos anos, a continuidade de investimentos do governo em projetos de infraestrutura, para eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, tendem manter a dinâmica de crescimento da indústria de capital e de veículos pesados. Além disso, a segunda etapa do PAC (Programa de Aceleração de Investimentos) prevê investimentos de R$ 109 bilhões, dos quais R$ 46 bilhões serão destinados às ferrovias, o que deve beneficiar empresas como a Iochpe Maxion e a Randon.

A possibilidade de prorrogação do PSI (Programa de Sustentação Investimento), que concede benefícios fiscais e deve terminar em março deste ano, também traz boas perspectivas para o setor. Por fim, a frota nacional de veículos pesados tende a continuar sua renovação, principalmente para atender as leis que regulam o nível de emissão de poluentes.

A top pick do BB Investimentos no setor é a Randon, devido ao seu elevado potencial de valorização. "Acreditamos que a empresa continuará a ter sua demanda estimulada por setores ligados à infra-estrutura, contrução civil e transporte de combustíveis", diz a corretora.

Construção Civil

O crescimento do setor imobiliário em 2011 segue basicamente as mesmas variáveis observadas em 2010. A diferença é que, após o desempenho extraordinário no ano passado, o avanço deve ser mais modesto. O preço dos imóveis, por exemplo, tende a ter correções marginais, após expressivas atualizações de preços em 2010.

A corretora acredita que as principais incorporadoras seguirão buscando parcerias que possam gerar sinergias a seus negócios. Assim, poderão manter seus planos de crescimento e diversificação para os próximos anos. No front macroeconômico, a disponibilidade de crédito pode ser afetada em função da elevação da taxa básica de juro. Mesmo assim, os incentivos de financiamento a longo prazo para aquisição de imóveis devem ser mantidos, sustentando o setor.

Por sua vez, a melhora de renda da população deve dar continuidade à expansão da demanda reprimida das classes mais baixa. O programa Minha Casa, Minha Vida, em sua segunda fase, deve manter o interesse das incorporadoras no segmento. Do lado dos riscos, a corretora destaca a escassez de mão de obra qualificada e bens de capital, além da possível diminuição da participação do capital estrangeiro - que tem significativa participação nas ações em circulação.

As top picks do setor são as companhias que combinam boa gestão, visão ampla de mercado e posição de caixa confortável, além de estarem, de algum modo, abaixo de seus pares no setor. Desta forma, a corretora elenca Cyrela, Gafisa, MRV Engenharia e EZTEC como suas preferidas.

Mineração

As mineradoras tiveram um 2010 muito positivo, com o fortalecimento da recuperação iniciada em 2009 e um novo sistema de negociação para os preços do minério de ferro. "O grande destaque do ano foi a recuperação dos preços da maioria dos produtos, que compensou a queda das vendas físicas e ainda os efeitos da desvalorização do dólar frente ao real", destaca a corretora.

Neste ano, a manutenção da forte demanda chinesa, aliada à recuperação das nações desenvolvidas e à manutenção de elevados patamares de preços serão os pontos mais importantes para os ganhos do setor. Em relação aos preços, é previsto um aumento total de 20% para o minério de ferro proveniente de Carajás (Vale), enquanto a possibilidade de expressiva queda dos patamares atuais é descartada pelos próximos dois anos.

Dentre os riscos, atenção para a valorização do real, que prejudica, em especial, as exportações da Vale. A elevada exposição ao mercado chinês também deve ser encarada com cautela, como a eventual aprovação da reforma do Código Brasileiro de Mineração, que poderia trazer novas taxas para as mineradoras.

O plano de investimentos da Vale para os próximos anos, associado ao seu posicionamento estratégico, sua capacidade logística e negócios diversificados, a coloca como preferida do setor.

Petróleo e Gás

O segmento de Petróleo e Gás espera pegar carona, em 2011, na recuperação do consumo de petróleo por todo o mundo. Após ter sido prejudicado pelo desaquecimento das economias norte-americana e europeia no último ano, além da capitalização da Petrobras, é projetado um aumento na demanda por petróleo neste ano de 1,5% frente 2010, para 88,77 milhões de barris por dia, segundo a IEA (Agência Internacional de Energia).

Vale lembrar que o aumento das cotações de petróleo ao longo deste novo período também dependerá do nível dos estoques, do comportamento do dólar em relação às moedas mundiais, além do nível de produção dos países membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e da melhoria na situação fiscal dos países da Zona do Euro.

Para a Petrobras, a produção interna de óleo é estimada em 2,06 milhões de barris de petróleo por dia, um volume médio 3% maior do que em 2010. Para a corretora, a empresa saiu fortalecida do novo marco regulatório para a exploração de petróleo na camada do pré-sal. "O grande ponto favorável refere-se à posição de liderança conquistada na exploração, desenvolvimento e produção da elevada potencialidade do pré-sal, com todos os ganhos de sinergia e escala que certamente advirão".

A OGX divide a preferência com a Petrobras no setor. A empresa tem sido bem sucedida em sua campanha exploratória e, entre as descobertas comunicadas, estima um volume de reservas entre 2,6 e 5,5 bilhões de barris de óleo. As ações devem acompanhar o cronograma de produção do primeiro barril de petróleo, bem como a conclusão do novo laudo de avaliação de recursos prospectivos e a alienação da participação minoritária na Bacia de Campos.

Siderurgia

Em contraste com o setor de mineração, a siderurgia deve enfrentar mais um período de desafios neste ano. A principal preocupação para 2011 está na concorrência com o material importado, cujos preços no mercado brasileiro tornaram-se mais competitivos devido ao câmbio. Neste sentido, a postura do Banco Central para evitar maiores quedas que as verificadas recentemente é considerada decisiva.

Já o descasamento de receitas entre os preços dos produtos finais e da matéria-prima tende a continuar preocupando. Enquanto os preços do minério de ferro na China não param de subir, as siderúrgicas mostram dificuldade em repassar os preços. "Por isso, as margens das empresas ainda devem permanecer pressionadas e em patamares menores do que os observados no início de 2008".

Neste sentido, empresa menos dependentes da demanda externa e com produção mais integrada tendem a ser as mais beneficiadas no período. A exposição de CSN e Usiminas ao cenário doméstico classifica as empresas como top picks do setor.

Telecom

O último ano marcou fortes movimentos societários no setor de telecomunicações, com a venda da participação da Portugal Telecom na Vivo à Telefónica e sua entrada no controle da Oi. O setor apresentou expansão na base de usuários, com destaque para a telefonia móvel, mas guarda uma perspectiva neutra para 2011. As operadoras de telefonia devem enfrentar, além de desafios com a reestruturação estrutural e corporativa, o forte aumento da concorrência.

O Banco do Brasil projeta em um forte crescimento da base de usuários com a expansão da banda larga fixa e móvel, e dos serviços de televisão paga. "Como era esperado, o processo de integração avançou em 2010 e deve ser concretizado ao longo de 2011. Com esse movimento, grande parte dos players poderá ofertar serviços integrados, o que tende a reduzir os preços e equalizar uma vantagem competitiva que antes era exclusiva da NET e Oi". Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro devem ver as maiores mudanças, com a pressão de Telesp/Vivo para retomar a liderança na banda larga e a entrada da GVT no segmento de Pay TV.

Na telefonia móvel, a concorrência tende a ser ainda mais agressiva, com a redução de tarifas de voz e aumento da capacidade e cobertura de redes 3G. Neste sentido, a TIM deve ser o player mais atuante, na visão do BB, já que sua rede fixa é restrita e focada no mercado corporativo. Já a Vivo pode reestruturar seu portfólio para passar a atuar com mais foco na banda larga móvel e áreas onde a Telesp ainda não está. A Oi deve correr atrás de recuperar o fraco desempenho de 2010 com um novo aporte de capital, mas precisará de maciços investimentos em 3G. Por fim, a Claro deve lutar pela liderança no segmento de 3G, embora seja a única que não possua a operação móvel em conjunto com a fixa.

Sucroalcooleiro

O ano de 2010 foi bastante favorável para o setor, impulsionado pela alta demanda do mercado de açúcar, junto com os preços da commodity, além do crescimento das vendas dos veículos flex. Para este ano, o cenário positivo não é diferente.

Para este ano, a corretora acredita na manutenção dos altos preços do açúcar no mercado internacional, maior consumo interno de etanol, em função do aumento do market share dos carros flex, além da expectativa de consolidação do setor, principalmente por parte das grandes empresas. E a empresa que deverá se beneficiar muito deste cenário, segundo a corretora, é a Cosan, top pick do setor.

Papel e Celulose

Para 2011, o principal driver para as ações do setor será a demanda chinesa, que ainda deve crescer este ano. "A competitividade das empresas brasileiras sugere uma tendência de contínua expansão de capacidade e ganhos de escala", destaca a corretora.

Apesar das projeções favoráveis como um todo, a companhia top pick do BB é a Suzano, pelo empreendorismo, diversificação de receitas, qualidade das margens e boa disciplina financeira.

Top picks por setor:

Setor Viés Top Picks Códigos
Agronegócios Neutro BR Foods, SLC Agrícola BRFS3, SLCE3
Bancos Neutra Bradesco BBDC4
Bens de Capital Positivo Randon RAPT4
Construção Civil Positivo Cyrela, EZTEC, Gafisa, MRV CYRE3, EZTC3, GFSA3, MRVE3
Logística e Transportes Positivo Gol, ALL, Localiza GOLL4, ALLL3, RENT3
Mineração Positivo Vale VALE3, VALE5
Papel e Celulose Neutro Suzano SUZB5
Petróleo e Gás Positivo Petrobras, OGX PETR3, PETR4, OGXP3
Siderurgia Neutro CSN, Usiminas CSNA3, USIM3
Sucroalcooleiro Neutro Cosan CSAN3
Varejo e Consumo Positivo Lojas Americanas, Pão de Açúcar, Natura, Droga Raia, Drogasil LAME4, PCAR5, NATU3, RAIA3, DROG3

FONTE: InfoMoney - 18.janeiro.2011