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SÃO PAULO - Pouca coisa mudou na composição das ações mais recomendadas por bancos e corretoras em fevereiro. Assim como tem sido visto nos últimos meses, a Vale (VALE5) foi a ação mais citada nas carteiras recomendadas, seguida logo atrás pela Petrobras (PETR4). A novidade ficou mesmo com a Cosan (CSNA3), que ficou na terceira posição desse mês, empatada com o tradicional Itaú Unibanco (ITUB4).

Ao todo, 30 carteiras de bancos e corretoras foram utilizadas para este levantamento. Os portfólios selecionados foram: Amaril Franklin, Ativa, Banif, BB Investimentos, Bank of America Merrill Lynch, Bradesco Corretora, BTG Pactual, Citi, Coinvalores, Credit Suisse, Geração Futuro, HSBC, Itaú, Link Investimentos, Magliano (2 carteiras), Omar Camargo (2 carteiras), PAX, Planner, Safra, SLW (3 carteiras), Socopa, Souza Barros, Spinelli, TOV, UM e XP.

Entre todas as carteiras publicadas pela InfoMoney em fevereiro, nesta compilação apenas não foram considerados os portfólios com sugestões de ações que tenham perspectiva de pagamento de proventos.

Vale: momentum favorável do minério de ferro

As ações preferenciais classe A da Vale (VALE5) seguem como preferidas dos analistas para fevereiro, com 23 recomendações nas 30 carteiras compiladas. Em janeiro, a mineradora havia conquistado 21 recomendações entre os 28 portfólios que foram acompanhados pela InfoMoney. Cabe ressaltar ainda que os papéis ordinários (VALE3) também foram lembrados, tendo recebido uma indicação nesse mês.

Os fortes preços do minério continuam sendo o grande ponto favorável para a companhia. Em janeiro, as cotações chegaram a ultrapassar os US$ 190/ tonelada no mercado chinês, refletindo a recomposição dos estoques nacionais antes do Ano Novo Lunar, comemorado no país no início de fevereiro, explica a equipe da Ativa Corretora em seu relatório mensal.

Aliado a isso, a mineradora brasileira também se beneficia dos problemas enfrentados por seus principais concorrentes globais, o que acaba reduzindo os níveis de oferta de minério e, consequentemente, elevando os preços do material. Segundo os analistas da SLW, os problemas climáticos vistos na Austrália deverão atrapalhar a Rio Tinto e a BHP Billiton em atender sua demanda chinesa, "o que irá possibilitar a Vale realizar vendas físicas mais representativas nesse início de ano".

Outro importante produtor da commodity, a Índia também pode sofrer com oscilações na oferta. O time do Banco Safra destaca a restrição de oferta de minério em Karnataka, além dos indícios recentes de que o governo indiano possa restringir cotas de exportação em Orissa, a maior região produtora do país.

Todos esses eventos acabam tendo um impacto imediato nos resultados da Vale, tendo em vista o atual sistema de precificação do minério de ferro, que passou a ser em base trimestral e atrelado à cotação spot (à vista) da commodity. Segundo a Socopa Corretora, isso permite que a Vale possa absorver mais rapidamente a atual tendência positiva dos preços em seus resultados operacionais. Cabe lembrar que o balanço referente ao quarto trimestre e ao exercício de 2010 está agendado para o próximo dia 24, após o fechamento do pregão.

Tendo em vista o cenário atual, a expectativa dos mercados é de que essas cotações do minério permaneçam nesses níveis por um bom tempo. "Continuamos confiantes que o mercado de minério de ferro se manterá forte em 2011, sustentando o momentum favorável das ações [da Vale]", comenta a equipe do BTG Pactual. "A produção crescente, combinada aos altos preços de commodities, permitirá à Vale continuar a registrar resultados expressivos pelos próximos trimestres", complementam os analistas do HSBC.

Não é apenas dos bons preços do minério de ferro que se sustenta o otimismo sobre a Vale. Os analistas do Banif também destacaram o acordo firmado entre a mineradora e o United Steelworkers (USW), que representa os empregados da empresa em Voisey’s Bay, no Canadá, colocando fim a uma greve que já durava quase 18 meses. "Com o final das greves nas operações de níquel e cobre no Canadá, a Vale será capaz de ganhar com volumes e preços cada vez maiores", acredita o banco.

No dia seguinte ao anúncio do acordo, a Vale comunicou aos mercados que pretende distribuir aos seus acionistas um total de US$ 4 bilhões em dividendos em 2011, proposta esta que ainda passará por votação do Conselho de Administração. A equipe da Planner argumenta que esse montante, que corresponde a um valor 60% maior do que a remuneração distribuída em 2010, reforça o otimismo da mineradora em relação ao cenário atual do setor, que deverá resultar em fortes resultados ao longo do ano.

Apesar dos fatores favoráveis envolvendo o setor, o HSBC faz uma ressalva ao momento atual da economia chinesa. Segundo o banco, as medidas de aperto monetário recentemente anunciadas deverão reduzir o ritmo de crescimento do país no curto prazo, o que pode prejudicar a demanda por aço e, consequentemente, por minério de ferro.

Ação Recomendações
Vale PNA 23
Petrobras PN 16
Itaú Unibanco PN 11
Cosan ON 11
OGX Petróleo ON 10
Gerdau PN 9
Vivo PN 9
Lojas Renner ON 8
Bradesco PN 7
CCR ON 7
Cemig PN 7
PDG ON 7
Banco do Brasil ON 6
CSN ON 6
AmBev PN 5
EZTEC ON 5
GOL PN 5
Localiza ON 5
Tractebel ON 5

Petrobras: fluxo de notícias deve impulsionar as ações

Assim como no mês passado, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) terminaram na segunda posição entre as ações mais recomendadas, tendo sido lembradas em 16 das 30 carteiras de bancos e corretoras levantadas pela InfoMoney, mesmo número de recomendações visto em janeiro. Cabe ressaltar que as ações ON da companhia (PETR3) apareceram em quatro portfólios nesse mês. Com isso, a empresa somou ao todo 20 recomendações.

Segundo os analistas, as incertezas que rodearam a empresa durante o seu processo de capitalização do ano passado - e que contribuiu para que ela perdesse quase um quarto de seu valor de mercado no período - parecem estar se diluindo gradualmente, sobretudo em meio às melhores perspectivas para a economia global e também ao fluxo de notícias favoráveis envolvendo a estatal.

Esse argumento tem ganhado mais força com o desempenho das ações da petrolífera nos últimos meses. Em dezembro, as ações preferenciais subiram 11,8%, bem acima da alta de 2,36% do Ibovespa. Já em janeiro, os papéis relataram queda de 0,7%, enquanto o índice recuou 3,94%.

"O noticiário tem sido mais favorável à empresa, colaborando para reposicionamentos na ação, face seus múltiplos atraentes em relação aos pares internacionais", explica a equipe da Planner em seu relatório mensal. Em janeiro, diversas descobertas foram anunciadas pela companhia, não apenas na Bacia de Santos, as quais foram muito bem recebidas pelos analistas, como também na Bacia do Recôncavo.

Além de novas descobertas, a Petrobras anunciou que sua produção de petróleo e gás natural bateu recorde em dezembro, ao atingir a marca de 2,12 milhões bpd (barris de petróleo por dia), alta de 4,5% na comparação com novembro e de 6,8% frente a dezembro de 2009. A petrolífera também atingiu no mês o recorde de vendas em gasolina e QAV (querosene de aviação).

Vale mencionar ainda que as cotações de petróleo no mercado internacional seguem em trajetória ascendente, beirando a faixa dos US$ 100 o barril. "O potencial de desenvolvimento das operações no pré-sal alinhado aos últimos anúncios de descobertas de poços (como a reserva de Libra, a descoberta na Amazônia, entre outros) e a recente tendência de alta sobre o petróleo são fatores que reiteram nossa visão otimista sobre os papéis", atestam os analistas da Um Investimentos.

Vale destacar que esse otimismo não vem apenas dos analistas de mercado, mas sim dos próprios investidores. Em enquete realizada pelo Portal InfoMoney, 34,65% dos participantes acreditam que a ação preferencial da Petrobras terá o melhor desempenho do ano dentre as blue chips da bolsa brasileira. A ação PNA da Vale aparece logo atrás, com 27,32% dos votos.

Por fim, a equipe de estratégia em renda variável do HSBC comenta que os riscos políticos embutidos na companhia já encontram-se precificados no ativo, reduzindo os riscos de novas desvalorizações dos papéis.

Itaú Unibanco e Cosan dividem a 3ª posição

No último degrau do pódio, aparece mais uma vez o Itaú Unibanco (ITUB4), que recebeu as mesmas 11 indicações do mês passado. No entanto, diferente do que foi visto em janeiro, essa terceira posição foi dividida com a Cosan (CSAN3), que saltou três posições na passagem mensal. No mês anterior, ela havia sido citada em 9 dos 28 portfólios compilados pela InfoMoney.

Para a instituição financeira, a recomendação ainda reflete em parte os ganhos de sinergia esperados com a fusão entre Itaú e Unibanco, o que deve tornar o banco ainda mais competitivo em 2011, acredita a Ativa Corretora. Aliado a isso, o Safra argumenta que as ações tiveram uma performance bem inferior em relação aos seus principais pares e ao Ibovespa. "Isso nos faz acreditar que esse nível de preço represente uma boa oportunidade de entrada", afirmam os analistas do banco.

Já no caso da companhia sucroalcooleira, os principais drivers de curto prazo apontados pelos analistas da SLW são as boas perspectivas para o setor na entressafra, tendo em vista os dados prévios divulgados no final de janeiro, e o otimismo em relação à sua joint venture com a Shell. "Vemos na Cosan uma boa oportunidade para um posicionamento no setor sucroalcooleiro brasileiro, que dado o cenário atual, possui excelentes perspectivas para 2011", afirma a equipe da Um.

FONTE: InfoMoney - Thiago Salomão - 04.fevereiro.2011