EZTEC na Mídia

Analistas diferenciam empresas com balanço positivo, com margens pressionadas e queda no lucro

Uma explicação bastante utilizada para o desempenho da bolsa em determinados dias pode ser aplicado especificamente às ações do setor de construção civil nos últimos dias: ausência de tendência definida. A temporada de balanços trimestrais mostrou resultados divergentes entre as construtoras, o que foi refletido no desempenho dos papéis ao longo da semana.

Flávio Conde, analista de construção civil da Banif Corretora, dividiu as construtoras em três grandes grupos a partir dos balanços trimestrais: empresas com crescimento operacional e que não enfrentam pressão nos custos (EZTEC e Even); empresas com crescimento de receita e lucro, mas com margens levemente pressionadas (MRV, PDG Realty e Rossi Residencial); e por fim companhias com desempenho operacional considerado negativo e pressão nos custos (Gafisa e Cyrela). “Para conseguir atuar em todas as regiões do pais, as grandes construtoras assinaram parcerias com empresas locais, o que dificulta o controle de custos” , explica.

O setor passa ainda por algumas ameaças, segundo Ricardo Justo, analista da Lopes Filho, como apagão de mão-de-obra, pressão de custos e aumento das taxas de juros, esse último com menor impacto. “Nenhuma medida macroprudencial anunciada pelo governo nos últimos meses afetou a concessão de crédito imobiliário na ponta final e, ao que tudo indica, o cenário não deve mudar até o final do ano”, afirma Justo.

Ainda assim, na opinião do analista da Banif, as margens tendem a se recuperar ao longo do ano, inclusive com a retomada dos patamares de 2010 no início do ano que vem. “As perspectivas para a construção civil são positivas e, a partir do momento que os investidores perceberem que os juros cairão, as ações tendem a valorizar”, diz Conde, considerando que as ações de construtoras estão baratas.

As preferidas do analista da Banif Corretora são EZTEC e Even, cuja valorização acumulada na semana passada foi de 3,2% e 0,84%, respectivamente. A MRV por sua vez, disparou 13,38% no mesmo período de comparação - a ação fechou no patamar mais alto desde 24 de janeiro, cotada a R$ 15,08. “Após um quarto trimestre decepcionante, a MRV apresentou um resultado mais condizente com a expectativa”, afirma Marco Aurélio Barbosa, analista da Coinvalores, em relatório. Na ponta oposta, as ações da Gafisa e Tecnisa acumularam queda de 2,15% e 0,08%, respectivamente, na última semana.

FONTE: Brasil Econômico - Vanessa Correia - 16.maio.2011