EZTEC na Mídia

Empresas Sigla Rentabilidade Indicações
Vale PNA Vale5 -3,49% 3
AmBev PN AMBV4 2,53% 2
Droga Raia ON RAIA3 -8,21% 2
OGX Petróleo ON OGXP3 0,26% 3
Telesp PM TLPP4 -0,72% 3
Pão de Açucar PM PCAR4 -11,89% 2
Petrobras PN PETR4 -8,17% 1
ItauUnibanco PM ITUB4 0,74% 2
EZTEC ON EZTC3 -22,74% 2
Banco do Brasil ON BBAS3 -5,99% 1

Diante de um cenário de incerteza em relação à evolução da crise da dívida soberana na zona do euro, a cautela predominou nas recomendações para a Carteira Valordo mês de outubro.

Em um ambiente de grande volatilidade e com perspectiva de crescimento menor para a economia mundial, os papéis de empresas de setores considerados defensivos, como o de energia elétrica e telecomunicação, consideradas boas pagadoras de dividendos, ganharam espaço na carteira deste mês. "Estamos com uma visão mais cautelosa para o mês de outubro e procuramos focar em empresas exposta ao mercado interno, com baixo endividamento e boa distribuição de dividendos", diz Rafael Andreata, analista da Planner Corretora.

No mês passado, a Carteira Valor caiu 8,04%, para uma desvalorização de 7,38% do Ibovespa. O movimento de baixa foi puxado pelas posições nas ações da construtora EZTEC e do Pão de Açúcar. No ano, no entanto a carteira Valor apresenta queda de 17,64%, para 24,50% do índice até setembro.

A baixa alavancagem e a perspectiva de atingir bons resultados com o ganho de sinergias após a fusão com a Vivo fizeram a Telesp retornar à Carteira Valor neste mês, com três indicações.

Considerado um papel defensivo, de empresas com geração de caixa estável, a ação da Telesp se destaca por ser boa pagadora de dividendos, com um "dividend yield" - relação entre o dividendo distribuído por ação e o preço do papel na bolsa - de 8,5% previsto para este ano. "O dividendo poderá vir até um pouco maior, uma vez que a integração das operações com a Vivo deve proporcionar um ganho de sinergias de R$ 270 milhões já no segundo semestre", destaca Andreata.

Apesar de já ter acumulada valorização de 32,9% no ano até ontem, contra queda de 26,7% do Ibovespa, Andreta ainda vê potencial de ganho para o papel com o crescimento no segmento de telefonia móvel. Segundo o analista, há espaço para aumentar a participação do serviço de dados, que hoje representa cerca de 20% das receitas da Vivo. "Nas empresas americanas esse percentual fica em torno de 30%, e vemos espaço para crescimento."

Outro papel defensivo recomendado pelo analistas é o da cervejaria AmBev. Neste ano, a ação preferencial da empresa, incluída na Carteira Valor acumulava alta de 13,5% no ano. A empresa tem como vantagem a liderança no mercado de cervejas no Brasil, além da baixa volatilidade das receitas. "A AmBev é um dos papéis preferidos do setor de consumo e é beneficiada com o aumento da renda", diz Fernado Góes, analista do Rico, home broker da Octo Corretora.

Além disso, os analistas esperam um aumento da distribuição de dividendos para 2012, com forte geração de caixa da companhia. Ontem, A AmBev anunciou o pagamento de dividendos de R$ 0,622 por ação ordinária (ON, com voto) e R$ 0,6842 por papel preferencial (PN, sem voto), que será efetuado em novembro, além da distribuição de juros sobre capital próprio.

Papéis como o da AmBev são considerados de baixo risco com um beta (que mede a variação de uma ação em relação ao Ibovespa) de cerca de 0,38. Abaixo de 1, esse referencia indica que o papel tem uma variação menor que a do Ibovespa. Isso significa que eles tendem a apresentar um desempenho melhor quando a bolsa cai, mas podem ter um ganho inferior ao índice em mercados em alta. "Esses papéis possuem baixa volatilidade e incluímos na nossa carteira como posição defensiva", diz Hugo Azevedo, superintendente da Santander Corretora.

O impasse político dos governos na Europa para aprovar a ampliação do Fundo de Estabilização Europeu e a indefinição em relação à liberação da próxima parcela de ajuda à Grécia, de €8 bilhões, trouxeram um aumento de aversão a risco nos mercados. Diante desse cenário, os analistas têm focado empresas voltados para o mercado interno, principalmente do setor de consumo como o Pão de Açúcar e Droga Raia. No caso da varejista, as vendas concentradas no mercado doméstico, principalmente em itens básicos como alimentos, conferem menor vulnerabilidade aos resultados.

A Santander Corretora ainda espera uma definição da disputa societária envolvendo os grupos controladores, o francês Casino, e Abílio Diniz. Segundo a revista "Veja" desta semana, Diniz teria apresentado oficialmente uma proposta de divórcio ao grupo francês. O empresário brasileiro vem travando uma queda de braço com seu sócio europeu desde que foi divulgada sua tentativa de compra do Carrefour, rejeitada pelo Casino.

FONTE: Valor Econômico - Silvia Rosa - 04.outubro.2011