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SÃO PAULO - Os sinais de arrefecimento na economia de grandes potências mundiais fizeram com que analistas demonstrassem mais cautela ao recomendar ações de companhias mais dependentes do cenário externo, dando assim mais destaque às empresas mais ligadas ao consumo interno nos portfólios para o mês de dezembro.

Diante desse cenário, as ações preferenciais da Vale (VALE5) e da Petrobras (PETR4), que há meses assumiam a liderança no número de recomendações em carteiras mensais, perderam a primeira colocação para os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4), que receberam 13 recomendações no período - mantendo a mesma quantidade de votos do mês anterior.

Já as ações preferenciais da Vale e da Petrobras, que em novembro também haviam recebido 13 recomendações cada, viram seu número de indicações cair em dezembro. Os papéis preferenciais da mineradora foram citados em oito carteiras, enquanto os da petrolífera tiveram nove indicações.

Ao todo, 22 carteiras de bancos e corretoras foram utilizadas para este levantamento. Os portfólios selecionados foram: Amaril Franklin, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Citigroup, Geração Futuro, Geral, Gradual, HSBC, Itaú BBA, Novinvest, Omar Camargo (2 carteiras), PAX, Rico, Socopa, Souza Barros, TOV, Um, Walpires e XP (2 carteiras).

Entre todas as carteiras publicadas pela InfoMoney em dezembro, nesta compilação apenas não foram considerados os portfólios com sugestões de ações que tenham perspectiva de pagamento de proventos.

Ação Recomendações
Itaú Unibanco PN 13
Petrobras PN 9
Vale PNA 8
PDG ON 7
OGX ON 6
Bradesco PN 5
BR Foods ON 5
Pão de Açúcar PN 5
AmBev PN 4
BR Malls ON 5
Copel PNB 5
EZTEC ON 5
Lojas Americanas PN 4
Lojas Renner ON 4
Randon PN 4
Redecard ON 4
Localiza ON 4

ITUB4: momento favorece recomendações

A equipe de análise da Rico Corretora afirma que os fundamentos sólidos e resultados positivos no terceiro trimestre de 2011 foram alguns dos motivos que contribuíram para a atratividade da companhia nas carteiras mensais.

Em complemento, o analista da Walpires Corretora, Leandro Martins, afirma que após um movimento de correção, as ações do banco apresentam recuperação. Ademais, os benefícios da fusão entre Itaú e Unibanco, que devem ficar mais claros no controle de despesas nos próximos trimestres, foram apontados pelos analistas Fernando Siqueira e Hugo Rosa, da Citi Corretora, como mais um fator positivo para a recomendação.

As perspectivas futuras completam a preferência pela ITUB4 nas recomendações. "A sinalização do banco é de que as medidas necessárias para melhoria da qualidade dos ativos já foram tomadas, e seus impactos deverão começar a surtir efeito no resultado do quarto trimestre de 2011", explica a estrategista da Ativa Corretora, Mônica Araújo.

PETR4: entre novas descobertas e cenário externo

Apesar dos fundamentos sólidos e as ações relativamente descontadas serem considerados atrativos para o desempenho da Petrobras para os próximos meses, o cenário externo ainda desfavorável fez com que os analistas optassem por diminuir a exposição nas empresas produtoras de commodities, que possuem maior exposição aos eventos internacionais.

Além disso, a analista da Ativa aponta que a última divulgação da produção por parte da estatal novamente frustrou o mercado, registrando crescimento abaixo da expectativa "confirmando a nossa visão de que as metas de produção não serão cumpridas em 2011".

Apesar disso, novas descobertas anunciadas pela empresa, com destaque para a descoberta de óleo de boa qualidade no poço de Biguá na região do pré-sal do litoral, anunciada no fim de novembro, aumenta as expectativas para o potencial de produção da área, podendo fortalecer o desempenho da companhia nos próximos meses, na visão dos analistas.

VALE5: apesar de atrativa, cenário externo exige cautela

A possibilidade dos papéis da Vale ser afetado pelos problemas macroeconômicos acompanhados em grandes economias globais também foi o principal motivo apontado por analistas para a retirada das ações da companhia de suas carteiras mensais no mês de dezembro.

Além disso, a equipe de análises da XP Investimentos afirma que apesar de considerar a empresa com um valuation atrativo e com bons fundamentos de longo prazo, os estoques de minério em patamar elevado, a queda nos preços de minério, o arrefecimento chinês e elevação dos royalties sobre minério devem continuar pesando sobre empresa no curto prazo.

A equipe de análise da UM Investimentos explica que após os sólidos resultados apresentados no terceiro trimestre, os papéis da Vale seguiram pressionados durante todo mês de novembro em função de notícias negativas para a companhia, entre elas a redução no plano de investimento da mineradora para 2012, motivada pela dificuldade na obtenção de licenças ambientais e pela prorrogação de projetos.

Outras notícias, como a perspectiva de perda de market share nas vendas de minério para as siderúrgicas brasileiras nos próximos anos, as recentes notícias vinculadas sobre a rejeição do supercargueiro da companhia nos portos chineses; a disputa judicial com o governo referente a cobrança de R$ 25 bilhões em tributos sobre o lucro da Vale no exterior e a perspectiva de possível desaceleração econômica na China, foram acompanhadas com cautela pelos analistas.

Contudo, apesar dessas notícias terem pressionado as ações no último mês, os analistas da corretora afirmam que as reações do mercado tenham sido exacerbadas, promovendo um ponto atrativo - melhorando a atratividade dos múltiplos - para uma entrada nas ações visando as perspectivas deste papel para o longo prazo. "Acreditamos que a companhia continua apresentando sólidos fundamentos e margens mais atrativas que seus peers internacionais", completa em relatório.

FONTE: InfoMoney - Nara Faria - 07.dezembro.2011