EZTEC na Mídia

Há um ano e meio, seria inimaginável supor que as ações de construtoras como PDG e Gafisa seriam mais baratas do que uma dezena de tijolos. A queda de quase 50% no preço dos papeis de oito das maiores incorporadoras fez com que o valor de mercado do setor também caísse pela metade, passando de R$44,51 bilhões, em dezembro de 2010 para os atuais R$ 23,53 bilhões. A perda é equivalente a 21 vezes o custo da reforma do estádio do Maracanã.

Os Casos que mais chamam atenção são exatamente a Gafisa e a PDG, que viram suas empresas encolherem na bolsa 76% e 62%, respectivamente. Por trás dessa queda, estão o aumento dos custos como mão de obra, a desaceleração da demanda e, principalmente, o fato de terem adquirido companhias em dificuldade. “A Gafisa teve problemas com a Tenda pelo modelo que ela adotava de construção de terceirização das obras. Com isso, a Gafisa não tinha controle e as obras acabavam tendo atrasos e não conformidade como orçamento. Mas mesmo empreendimentos com a marca Gafisa têm tido problemas de atraso. Na PDG, aconteceu a mesma coisa, mas com a Agre” , afirma Marco Aurélio Barbosa e Felipe Martins Silveira, analista-chefe e analista da Coinvalores.

“Ao mesmo tempo, o mercado não se comportou como estava previsto. Em 2010, as vendas foram muito fortes e o otimismo tomou conta dos resultados. Só que em 2011, houve desaceleração da demanda , mas não da oferta. Continuou-se lançando à espera de compradores. Tanto é que , no primeiro trimestre de 2012,vimos queima de estoque.”

Para se ter ideia, o resultado do primeiro trimestre da Gafisa mostrou melhora no fluxo de caixa. No entanto, os desafios ainda são grandes como reduzir a divida e revender as unidades da Tenda que sofreram distrato, segundo Flávio Conde, analista da Banif Corretora. “Por enquanto, mantemos nossa recomendação de neutro com preço alvo de R$ 7,60 para dezembro”, escreve em relatório.

“A estratégia de cada empresa frente a um cenário de vendas mais lentas, custos pressionados em expectativas de investidores de ver uma fluxo de caixa positivo esse ano tende a ser mais relevantes na seleção das ações do setor do que os resultados trimestrais”, diz Conde. Por isso, daqui para frente será difícil ver um movimento uníssono das companhias, acrescenta José Francisco Cataldo, estrategista de varejo da Ágora Corretora. A Cyrela, por exemplo, foi uma das primeiras a fazer o dever de casa e ajustar os preços em relação aos custos de construção, por isso, deve apresentar melhora até o fim do ano. Outras construtoras, como JHSF, Helbor e Direcional continuam com bons fundamentos e com potencial de alta. “Entretanto, deve demora ainda mais alguns trimestres até a Gafisa resolver os problemas”, afirma.

Os analistas da Coinvalores citam ainda MRV e a EZTEC como empresas que devem ver a trajetória das ações no azul. A projeção de preço-alvo dos papéis é de R$ 17,40 e R$31, respectivamente, o que significa potencial de alta de 80% e 60% nesta ordem. “Entre todas as ações, as duas companhias têm apresentado resultados acima da média. Mas, entre as duas, a MRV tem tido mais problemas do que a EZTEC, que não teve variação nem mesmo com o aumento da mão de obra.”

Para se ter ideia, a EZTEC, comandada por Silvio Ernesto Zarzur, foi a única, entre as analisadas pelo Brasil Econômico, a apresentar valorização de mercado, no período analisado. Em dezembro de 2010, a companhia valira R$ 2,01 bilhões e atualmente vale R$ 2,80 bilhões. “Temos recomendação de compra com preço alvo de R$ 22,50 por ação” escreveu a equipe de análise da Planner Corretora.

Conde, da Banif, destaca ainda o desempenho da Tecnisa. Segundo ele, os resultados da construtora, no primeiro trimestre, ficaram abaixo do esperado pro causa da queda das vendas. No entanto, a companhia vem passando por período de ajustes desde o quarto trimestre do ano passado em relação a custos. Por isso, há chances de melhora a partir do segundo semestre e , principalmente , em 2013. A casa manteve a recomendação de compra das ações com preço alvo de R$ 14,50 com retorno potencial de 101%.

FONTE: Valor Econômico - Natália Flach - 28.maio.2012