EZTEC na Mídia

As prévias operacionais que serão divulgadas pelas incorporadoras de capital aberto, a partir da próxima semana, deverão trazer lançamentos, no segundo trimestre, abaixo da expectativa da maioria das empresas, na avaliação do mercado. No primeiro trimestre, boa parte das incorporadoras privilegiou a venda de estoques a lançamentos. A consequência da combinação dos dois trimestres será a concentração, ainda maior do que já ocorre, de projetos lançados no segundo semestre.

Há quem comente que isso poderá resultar em nova rodada de revisão de metas do Valor Geral de Vendas (VGV) a ser lançado, em 2012, ou na divulgação, por parte de algumas empresas, de que os lançamentos ficarão abaixo da projeção para o ano.

A principal razão para que os lançamentos ficassem abaixo do esperado, no trimestre, foi a demora na obtenção de licenças dos projetos acima da média, com destaque para a cidade de São Paulo, maior mercado imobiliário do país. A EZTEC, por exemplo, sentiu mais morosidade nas aprovações de projetos pela Prefeitura de São Paulo de maio ao meio de junho. Depois, o ritmo de aprovações voltou ao normal, conta o diretor financeiro e de Relações com Investidores da EZTEC, Emílio Fugazza, sem revelar se a fase mais lenta chegou a comprometer lançamentos previstos para o trimestre.

Prefeitura de São Paulo nega que prazos para a liberação de licenças tenha aumentado com a saída de Aref

No mercado, comenta-se que os prazos de aprovação se estenderam após a saída da Prefeitura de São Paulo de Hussain Aref Saab, ex-diretor do Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov). Procurada pelo Valor, a Prefeitura de São Paulo informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não procede a informação de que as aprovações no departamento Aprov estariam mais lentas após a saída de Aref e que os processos estão em ritmo normal. Foram aprovados 1,071 mil projetos, de janeiro a maio, numa média de 200 aprovações mensais.

Para a Brasil Brokers, que divide com a Lopes o posto de maior imobiliária do país, o estado de São Paulo responde por 55% das operações, ficando a capital com a maior fatia. Segundo o diretor-presidente da Brasil Brokers, um cliente de capital aberto tinha oito lançamentos previstos para a cidade, em junho, mas não conseguirá realizá-los até o fim do mês.

Conforme Freire, os lançamentos das incorporadoras de capital aberto ficaram abaixo das expectativas das empresas, mas acima do primeiro trimestre. O executivo estima que as vendas das companhias abertas tenham ficado, praticamente, em linha com as do segundo trimestre de 2011, devido à comercialização de estoques. Do total de vendas contratadas da Brasil Brokers, as empresas listadas em bolsa detêm fatia de 41%, e as de capital fechado, 59%. A parcela das abertas chegou a ser de 75%.

Na concorrente Lopes, a participação das incorporadoras fechadas no Valor Geral de Vendas (VGV) lançado cresceu de 62%, no ano passado, para 70%, no período de janeiro a maio de 2012. O levantamento da Lopes inclui lançamentos residenciais verticais, conjuntos comerciais e flat/hotéis nos principais mercados brasileiros.

A demanda por imóveis continua existindo, mas a tomada de decisão de compra está mais lenta. Boa parte das empresas terá lançado e vendido menos do que esperava no segundo trimestre, diz o analista do setor imobiliário da Banif Corretora, Flávio Conde. Uma das razões são as altas de preços registradas nos últimos anos, que culminaram no patamar atual. Os potenciais compradores deixaram de se sentir pressionados para fazer, rapidamente, a aquisição de um imóvel para evitar risco de aumento dos preços.

O comprador está pesquisando mais. Há pessoas que visitaram um estande de vendas em fevereiro e fecharam a compra do imóvel em maio, conta o diretor comercial da Direcional Engenharia, Guilherme Diamante. Focada em empreendimentos populares de grande porte, a incorporadora teve, no segundo trimestre, melhor desempenho em lançamentos e vendas do que no primeiro trimestre, conforme esperava. Considerando o desempenho esperado para os últimos dias do mês, a tendência é que os números superem também os do segundo trimestre do ano passado, de acordo com Diamante. A Direcional espera lançar seu primeiro projeto na capital paulista no terceiro trimestre.

A Trisul lançou o que estava previsto para o trimestre, mas teve vendas de lançamentos um pouco abaixo do que esperava. As vendas totais ficaram em linha com as do primeiro trimestre. Em relação ao segundo trimestre de 2011, foram menores, mas proporcionais ao volume lançado, conforme o presidente da companhia, Jorge Cury Neto. As aprovações dos projetos da Trisul têm ocorrido nos prazos previstos. De acordo com Cury, o segundo trimestre deve representar dois terços dos lançamentos do ano e 60% das vendas estimadas. Previsões e metas estão mantidas.

Segundo Conde, do Banif, a piora da crise financeira internacional e a alta do dólar contribuem para o adiamento da decisão de compra de um imóvel. Isso ocorre, principalmente, no caso da parcela da população que não paga aluguel, mas pretende trocar o imóvel em que mora por uma unidade de três ou quatro dormitórios.

Outro analista setorial afirma que as incorporadoras têm sinalizado que as vendas não estão muito boas, e a velocidade de comercialização está fraca. Já Fugazza, da EZTEC, conta que 50% do que foi lançado, neste ano, foi vendido e que a incorporadora não está sentindo diferença nesse quesito em relação ao ano passado.

FONTE: Valor Econômico - Chiara Quintão