EZTEC na Mídia

A EZTEC espera conseguir manter dinheiro em caixa nos próximos anos mesmo com o lançamento de obras de maior porte, que demandam mais recursos. E justamente a liquidez da empresa que, nos últimos anos, fez com que a EZTEC tivesse um desempenho acima da média da concorrência. Sem necessitar de tantos empréstimos, conseguiu margens mais altas na venda de seus empreendimentos. A margem bruta da empresa está acima de 50% e a líquida, em torno de 45%. Segundo analistas, isso é mais do que a média do setor de construção.

Essas margens mais elevadas ajudaram os papéis da incorporadora, que no ano acumulam alta de 27,6%, tendo fechado o pregão de ontem a R$19,66, liderando o desempenho do setor no ano. A MRV é a segunda melhor, com avanço de apenas 0,5%. Todas as demais acumulam perdas em 2012.

"Temos capacidade de fazer a geração de caixa necessária para a compra de terrenos após 2014", afirma o diretor financeiro da empresa, Emílio Fugazza.

Em 2011, os empréstimos e financiamentos tomados pela companhia equivaliam a 11% de seu caixa. Neste ano, a previsão é que os compromissos subam para 38,1% das disponibilidades e que fiquem em torno de 45% nos dois anos seguintes. Mesmo com o aumento, Fugazza garante que não há risco de a curva se inverter e a dívida superar o calxa. "Não temos projeção para qualquer inversão dessa curva ou uso de financiamentos que não sejam destinados à execução dos empreendimentos."

Essa posição mais conservadora do caixa e da gestão operacional, com menor número de empreendimentos em execução e atuação mais restrita do ponto de vista geográfico (basicamente São Paulo e região metropolitana) e do perfil dos empreendimentos (voltados às classes média-alta e alta), foram determinantes para a manutenção das margens, refletindo nas ações.

"Somos uma empresa realista e que crescemos dentro da capacidade financeira", diz o presidente da EZTEC, Silvio Ernesto Zarzur.

Um dos exemplos do controle de gestão é a inadimplência dos contratos dos clientes que compram na planta e pagam à incorporadora até o momento da entrega da obra - depois disso, a operação é repassada a uma instituição financeira.

Calote

De acordo com o diretor administrativo, Mauro Alberto, em 2010 a empresa detectou aumento do calote, fruto da demora da liberação de financiamentos imobiliários na entrega das chaves. Esse período coincidiu com o boom do crédito imobiliário. "Os bancos e cartórios não estavam preparados", diz.

A saída foi antecipar o processo e procurar bancos e clientes entre cinco e seis meses antes da entrega das chaves. A inadimplência caiu de 4,5% em janeiro de 2011 para 0,3% em abril deste ano.

O analista de construção civil da CGD Securities Flávio Conde, lembra que o fato da EZTEC não ter seguido as outras do setor, que elevaram os lançamentos de empreendimentos de padrão econômico e começaram a atuar em outras regiões do país, foi o que deu sustentação à incorporadora. "Ela conseguiu fazer melhor o controle de seus custos", diz, acrescentando que o caixa elevado também foi determinante para uma melhor rentabilidade. Como exemplo, citou a compra de terrenos, que é feita à vista pela EZTEC enquanto outras incorporadoras fazem permuta, o que é mais caro. "Isso dá um ganho de 10% na margem", afirma Conde.

FONTE: Brasil Enconômico - Ana Paula Ribeiro - 17.julho.2012