EZTEC na Mídia

SÃO PAULO, 21 Set (Reuters) - As principais construtoras e incorporadoras brasileiras, que têm capital aberto, devem enfrentar de forma mais intensa a partir do próximo ano um novo ciclo de crescimento, mais moderado, buscando corrigir erros do passado e se adaptar à atual realidade do mercado, afirmaram representantes do setor nesta sexta-feira.

Constituído principalmente por um retorno das empresas a patamares em que consigam entregar o que vendem, este novo cenário do setor imobiliário tem como desafio não deixar de atender a demanda por imóveis, que permanece forte, porém, com volume de lançamentos menos acelerado.

"No Brasil se vende antes de construir, os custos vêm depois... se não houver gestão, cria-se um problema", disse o professor titular do núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP, João da Rocha Lima Jr., durante a Conferência Lares. "Planejamento e controle têm que ganhar espaço."

Ele se referiu ao período seguinte à onda de abertura de capital das empresas do setor, quando o setor imobiliário passou por crescimento desenfreado, principalmente entre 2008 e 2010. Hoje, essas companhias vêm enfrentando desafios para contornar estouro de orçamentos, problemas com parceiros e, em alguns casos, prejuízos.

"Execução de obra não é detalhe de fluxo de caixa da companhia... a obra é variável determinante na estratégia de crescimento da operação", assinalou o diretor financeiro e de Relações com Investidores da EZTEC, Emílio Fugazza.

A diversificação de regiões de atuação, que levou grande parte das companhias a Estados com pouco ganho de escala e a firmarem parcerias --que hoje estão sendo desfeitas-- também foi apontada pelos profissionais como um retrocesso.

"Agora todo mundo vai voltar para São Paulo", disse Fugazza. "As empresas se propuseram a atuar em mercados que não eram os mercados preponderantes no negócio principal da companhia."

"(As empresas) foram construir no Brasil inteiro como se fosse uma virtude, mas era uma ação temerária. Muitas agora estão recuando", acrescentou o professor da USP, ressaltando que "era possível prever que empresas apresentariam prejuízo adiante, pelos orçamentos otimistas demais."

Desde o início deste ano, as companhias já reduziram o ritmo de lançamentos, como forma de se adaptar a esta nova realidade, priorizando a rentabilidade e a venda de estoques antes de ofertar novas unidades.

Diante deste ajuste de oferta e da reorganização das operações das empresas, a perspectiva dos profissionais é de que o próximo ano marque um retorno ao crescimento do setor.

"Estamos passando por um ano de ajustes, reconhecendo anos de execução ruim em poucos trimestres, mas temos motivos para acreditar em recuperação a partir do ano que vem, vai ser muito melhor que 2012", afirmou o analista David Lawant, do Itaú BBA, citando a nova safra de projetos que tiveram início em 2010.

Ele ponderou, contudo, que "incertezas ainda existem", sendo o estouro de custos uma das preocupações do mercado. "Podemos ter mais alguma (revisão de custos)."

FONTE: Reuters - Vivian Pereira - 21.setembro.2012