EZTEC na Mídia

Sem grandes emoções à vista, o mercado imobiliário caminha para um momento de certa estabilidade. Prova disso é a velocidade de vendas das empresas (número de unidades lançadas dividido pela quantidade de unidades vendidas) que se mantém parecido com o verificado no ano passado. Na Brookfield, este índice ficou em 36,1% no primeiro semestre deste ano contra 36,8% no mesmo período do ano passado. "Este é o índice mais indicado para medir o apetite do mercado por novos produtos", afirma Cristiano Machado, diretor financeiro da Brookfield. Na EZTEC a velocidade passou de 46% nos primeiros seis meses de 2011 para 43% de janeiro a junho deste ano.

As empresas seguem otimistas para 201-3 quando acreditam que haverá um retorno do crescimento. Isto porque a demanda continua alta, principalmente em grandes cidades como São Paulo, porém o consumidor está mais seletivo, comparando melhor o que o mercado está oferecendo. Machado reconhece que a fase em que um lançamento era vendido em seu final de semana de estreia ficou para trás. "Existe uma mudança de atitude por parte do consumidor. Hoje uma venda pode demorar até um mês e meio para acontecer", diz.

Assim a quantidade de lançamentos está mais moderada. Faz trinta dias que a Brookfield revisou sua meta para o ano. Agora o total de lançamentos deve ficar entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões. A previsão inicial ficava entre R$ 4,2 bilhões e R$ 4,7 bilhões. Neste quesito a EZTEC está um pouco mais otimista e acredita que cumprirá a meta de lançamentos estipulada em R$ 1,4 bilhão. "Desde julho lançamos cinco empreendimentos e vendemos 70% das unidades. O desempenho está bom tanto para imóveis residenciais como para comerciais", afirma Emílio Fugazza, diretor financeiro da EZTEC.

Mesmo com um mercado sem a euforia vista entre 2008 e 2010, quando os preços dos imóveis subiram cerca de 50%, não há perspectiva para uma baixa nos preços. Este ano os preços subiram quase 10%, diz o executivo. "Mas isto não representou um ganho para as construtoras", diz Fugazza. Segundo o executivo, a tendência de alta deve permanecer porque os custos das empresas estão altos.

Mas e se o consumidor não estiver mais disposto a pagar? Para Fugazza, este mercado se autoregula: se a demanda diminuir as empresas interrompem os lançamentos, mas os preços não devem baixar. "No máximo o que podemos ver são algumas empresas com estoques altos e fazendo uma promoção pontual", afirma.

Otimismo

De uma maneira geral as incorporadoras estão tranquilas, pois acreditam que a demanda continuará forte. "A decisão de compra de umapartamento é de longo prazo, e o consumidor tem mostrado confiança em que manterá seu emprego nos próximos anos", disse na semana passada o vice-presidente financeiro da Cyrela, José Florêncio. Para o executivo a explicação está na baixa taxa de desemprego, massa salarial crescente, além de carteira de crédito imobiliário em alta.

Trata-se de um momento de ajuste. "As empresas queriam crescer e ganhar mercado. Foi o que aconteceu com a Brookfield. Hoje estamos entre as cinco maiores. Agora é o momento de olhar para dentro da companhia e ser mais rentável", diz Machado. E com esta perspectiva, as empresas devem se concentrar em seus principais mercados.

"As empresas foram construir no Brasil inteiro como se fosse uma virtude, mas era uma ação temerária. Muitas agora estão recuando", diz o professor titular do núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP, João da Rocha Lima Jr. A capital paulista representa 60% dos negócios da EZTEC. As demais cidades da região metropolitana respondem por 40%. Já a Brookfield atua em oito cidades brasileiras, mas concentra 80% de suas vendas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Com Reuters e Agência Estado

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FONTE: Brasil Econômico - Cintia Esteves - 24.setembro.2012