EZTEC na Mídia

Nos últimos meses alguns setores foram alvejados na bolsa de valores. Os bancos balançaramde forma geral, abalados pela cruzada do governo contra os spreads e os juros altos, e o segmento de bancos médios sofreu com a desconfiança do mercado especialmente depois de problemas com o Cruzeiro do Sul. Já as construtoras e incorporadoras imobiliárias foram afetadas por enormes revisões de orçamento e de metas de lançamentos. Embora alguns papéis tenham tido alguma recuperação mais recente, as perdas no acumulado de 2012 ainda chegam a 35% em ações como as da PDG Realty, Rossi e Viver, no caso das construtoras. Entre os bancos médios, os papéis do PanAmericano perdem 16,70% e os do Banrisul, 15,94%.

No auge dos tempos ruins, no entanto, o mau humor quase generalizado acabou servindo para jogar luz sobre alguns papéis. Não faltaram comentários de analistas e gestores destacando que, apesar dos problemas enfrentados em um segmento, alguma companhia sempre é capaz de sobressair em meio às turbulências.

No caso do setor de construção civil, por exemplo, as empresas de porte menor e com atuações em nichos específicos estiveram entre as escolhidas para serem segregadas do mau humor dominante. A gestora de recursos Dynamo, uma das mais respeitadas do país, escreveu em uma de suas últimas cartas a investidores que a incorporadora paulista Helbor foi uma das exceções ao banco dos réus em que foi colocado todo o setor imobiliário na bolsa. O papel ordinário (ON, com direito a voto) da companhia subiu 72,65% neste ano.

Companhia de dono, continuando com a presença firme e competente do controlador não apenas na orientação das decisões estratégicas, mas também na gestão operacional e no dia a dia, a Helbor não se deixou seduzir pelo canto da sereia macro-setorial. Continuou tratando cada empreendimento como se único fosse, de modo artesanal, cultivando as qualidades que o manual do dever fiduciário prescreve, ou seja, o mesmo cuidado e diligência de quem administra seu próprio negócio, afirmou a gestora em sua carta.

De fato, a Dynamo lembra que na época do boom desse setor imobiliário na bolsa, nos anos 2008 e 2009, a Helbor não lançava tantos empreendimentos quanto as concorrentes. Hoje, quatro anos e meio após seu IPO [oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês], a Helbor divide com seus acionistas a melhor performance do setor, afirma a gestora.

Roberval Lanera Toffoli, diretor financeiro e de relações com investidores da Helbor, afirmou que o fato de a incorporadora ter entregue resultados consistentes desde a abertura de capital contribuiu para a valorização das ações na bolsa.

Sempre tivemos uma conduta muito rígida dentro da empresa, principalmente em relação a lançamentos. Mantivemos o foco na incorporação, declarou Toffoli. Não demos surpresas desagradáveis ao mercado, salientou o executivo.

Outra construtora bem premiada pelos investidores foi a EZTEC, cujas ações ON subiram 74,87% este ano. Para Carlos Alberto Júnior, gestor de renda variável da Modal Asset, assim como a Helbor, a construtora dedicou-se a fazer o que sabe, que é atuar em nichos. Muitas focaram no crescimento desenfreado e agora estão pagando a conta. Outras não meteram os pés pelas mãos e tomaram os riscos que conheciam, disse.

A taxa de retorno sobre o capital investido (ROIC, na sigla em inglês) da EZTEC foi de 21,9% nos últimos 12 meses, bem superior a média do setor, que é de 7,2%. A margem bruta manteve-se estável em 50% desde 2007, quando os lançamentos movimentavam R$ 400 milhões. Esse volume deve chegar a R$ 1,4 bilhão este ano.

Tivemos capacidade de gerar valor. Nossa estratégia sempre foi focar em São Paulo e região metropolitana, na classe média alta explicou Emílio Fugazza, diretor-financeiro da EZTEC. Além disso, contamos com caixa líquido, só utilizamos alavancagem para nos auxiliar no custo da produção, acrescentou.

No caso dos bancos médios, os analistas Eduardo Rosman e Marcelo Henriques, do BTG Pactual, descreveram o Pine como um caso único no segmento. Eles destacaram que a instituição tem uma receita bem distribuída entre as atividades de crédito, de banco de investimentos e de tesouraria.

De acordo com Raquel Varela, superintendente de relações com investidores do Pine, o bom desempenho das ações preferenciais (PN, sem direito a voto) do banco em 2012 - valorização de 34% - ocorreu por conta da estratégia da instituição de se voltar para o atacado, formado por clientes corporativos com receita anual superior a R$ 500 milhões.

Além de crédito, a instituição oferece serviços de banco de investimento para esses clientes. Atualmente, 60% da receita do banco vêm do crédito e 40% de outros tipos de produtos financeiros. Mesmo que haja uma redução do crédito, ou uma redução do spread, conseguimos ter o ‘cross selling‘ com o cliente e manter a rentabilidade acima da média, afirmou Raquel.

A receita do banco já chegou a vir praticamente 100% do crédito, em 2006 e 2007, quando a instituição teve atuação no consignado, atividade que foi interrompida em 2008. Hoje nossa estratégia não tem varejo. Vamos permanecer dessa forma, declarou a superintendente do Pine.

Em outubro, outro papel do setor financeiro que demonstrou fôlego foi o do Paraná Banco. Com ganho de quase 7% no mês, o desempenho das ações PN da instituição é vigoroso em 2012, acumulando valorização de 34,24%, bem acima da alta do Índice Bovespa, de 3,82%.

FONTE: Valor Econômico - Ana Paula Ragazzi e Luciana Bruno - 22.outubro.2012