EZTEC na Mídia

Empresas investem também no preparo de funcionários e pensam em mecanização

Até três anos atrás, a construtora EZTEC enviava um ônibus vazio para Paraíba que fazia o trajeto de volta para São Paulo com todos os assentos ocupados. Eram trabalhadores em busca de salários maiores e melhores condições de vida. Mas hoje, se muito, embarcam duas pessoas no veículo. Antônio Emílio Fugazza, diretor de relações com investidores da companhia, acredita que um dos motivos para o fim dessa migração temporária é a oferta de emprego na construção civil em todos os cantos do país, devido às inúmeras obras de infraestrutura em andamento. “Muitas vezes, as pessoas também não deixam as suas casas, porque contam com benefícios sociais, como o Bolsa Família.” A saída da empresa foi contratar quase mil funcionários para os carteiros de obras, e não mais usar temporários.

O caso da Camargo Corrêa não é muito diferente. Na década de 1970, durante o chamado milagre econômico, a construtora chegou a recrutar pessoas na rodoviária de São Paulo. Mas hoje a companhia adota outra estratégia: em parceria com o Senai, criou o projeto Geração Sustentável, que ministra cursos de qualificação profissional para os moradores das cidades vizinhas à hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, que hoje emprega 16 mil pessoas. Ao todo, foram investidos R$ 10 milhões e a previsão é de que sejam formados 10 mil profissionais.

Mesmo com esses programas de qualificação, a falta de mão de obra tem suscitado uma disputa entre construtoras, empreiteiras e prestadoras de serviço, o que acaba iinflacionando os salários dos profissionais acima, inclusive, do índice nacional de custo da construção (INCC). Hoje, um pedreiro ganha, em média, R$ 2,5 mil, e um mestre de obras, R$ 8 mil, enquanto um engenheiro conta com salário inicial de R$ 5 mil.

De acordo com César Worms, diretor financeiro da BNCorp, os gastos com mão de obra passaram, nos últimos dois anos, de 20% para 25% do total de custos relacionados aos projetos da incorporadora. "Tentamos ser competitivos oferecendo bônus para tentar retê-los e conseguir comprometimento com os prazos de entrega dos imóveis.”

O impacto disso já chegou até ao bolso do consumidor. A Cyrela aumentou em 20% os preços no primeiro semestre. “Quando se faz a conta do INCC, só ê levado em conta o dissídio coletivo", diz Ubirajara Spessotto, diretor geral da Cyrela. Temporários e aumentos extras ficam de fora.

A saída para o gargalo, segundo Fugazza, será o uso de tecnologias e de estruturas pré moldadas. “No Brasil, são usados 30 homens/hora por metro quadrado, enquanto, nos Estados Unidos, a relação é de 13, por causa dos equipamentos que usam. Estamos caminhando para essa mecanização".

FONTE: Brasil Econômico - Natália Flach - 09 de Setembro de 2010