EZTEC na Mídia

A capitalização da Petrobras que, na semana passada, foi outra vez o principal foco de orientação do mercado unida à agenda fraca de indicadores relevantes deram a senha para afugentar os investidores de ações voltadas para commodities e atraí-los para a compra de papéis balizados pelo crescimento da economia brasileira.

"A Bolsa está muito amarrada por conta da oferta da Petrobras, e isso tem se refletido no preço de outras ações, já que tem muita gente fazendo caixa para entrar na captação. Com isso, e dados ainda mornos sobre a recuperação financeira no exterior, ações ligadas à demanda doméstica continuarão a se sobressair", disse José Góes, consultor Win Trade.

A sexta-feira foi mais um dia fraco para a Bovespa, que caiu 0,85%, aos 67.089,12 pontos, terminando a semana com valorização de 0,42 - no mês, a alta é de 2,98%. O giro financeiro atingiu R$ 5 bilhões. A pressão sobre as empresas de commodities voltou a ganhar força após a deterioração do índice de sentimento do consumidor dos EUA, que retrocedeu ao nível de um ano atrás, e o ressurgimento dos temores em relação à situação fiscal de países da Europa.

PETROBRAS. Os papéis da Petrobras oscilaram durante a sessão, para fechar no campo positivo. A ON subiu 0,73%, na máxima de R$ 30,19, e a PN avançou 0,30%, a R$ 26,44. Logo cedo, a estatal anunciou o aumento da quantidade de ações que poderá emitir no lote adicional de sua oferta pública. O limite do lote adicional será equivalente a até 20% das ações da oferta e não mais de 10%, conforme anunciado anteriormente. No total, o lote soma agora 751.988.378 ações. Com esse novo limite, a oferta pode crescer em R$ 21,392 bilhões, para R$ 128,35 bilhões. Se for considerado o lote suplementar, cuja quantidade foi mantida em 5% sobre a quantidade original, a oferta pode alcançar R$ 134 bilhões, levando-se em conta o valor das ações no fechamento do pregão de sexta-feira.

"O aumento do lote adicional é positivo. Se aumenta a oferta é porque tem demanda", disse um operador.

EZTEC E BROOKFIELD. Na falta de outro norte, Góes ressalta que a proximidade com as eleições tem influenciado o mercado acionário do País. No âmbito nacional, caso a candidata do PT, Dilma Roussef, vença o pleito, Góes acredita que empresas ligadas à infraestrutura tendem a ser mais demandadas pelo governo, e, consequentemente, apresentar melhores margens.

EZTEC e Brookfield são as empresas que o consultor prefere chamar atenção entre as imobiliárias. Em relação à primeira, ele realça a boa administração da companhia como forte propulsor para seu bom desempenho. "A EZTEC tem uma excelente gestão, e apresenta a maior margem do setor, até por ser voltada para a classe média alta, e está descontada frente às demais ações de imobiliárias. Já em relação à Brookfield, o ponto destacado é a atuação em diversas regiões do País e o foco em salas comerciais, nicho que continuará com crescimento robusto."

Sobre o desempenho do setor como um todo, Góes acredita que as ações de empresas mais direcionadas para as classes de menor renda vão ganhar impulso se a candidata de Lula ganhar as eleições, o que levará à continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida. Na semana passada, os títulos que mais se valorizaram entre as construtoras foram os ON da PDG (4,08%, a R$ 19,90), embalados pela divulgação de expansão da oferta de crédito.

BRADESCO. Outro papéis que ganharam ímpeto com o reporte de crédito mais abundante foram os de varejistas, como os da B2W ON (8,84%, a R$ 31,40), Lojas Americanas PN (8,63%, a R$15,49), e Natura ON (4,12%, a R$ 45, 70). A notícia deu calibre também para engordar ações do setor bancário, como as do Banco do Brasil ON (4,14%, a R$ 29,16) e do Itaú Unibanco ON (4,06%. A R$ 38,70).

A conclusão do acordo Basiléia III foi o combustível para apreciar os papéis de bancos, conforme Góes, já que as taxas exigidas por reguladores globais ainda são menores do que aquelas em que trabalham as instituições brasileiras. Do setor financeiro, o consultor recomenda Bradesco, por "não ter seguido o movimento de fusão e estar mostrando resultados expressivos nos balanços".

Góes adiciona que as ações do BB devem seguir mais voláteis no curto prazo por conta das incertezas sobre como será a gestão do banco no próximo mandato presidencial. "Há o risco de que a escolha de nomes para os principais cargos sejam feitas sem levar critérios técnicos. Um governo mais intervencionista poderá levar o banco a baixar mais a taxa de juros."

COPEL. Entre as geradoras de energia elétrica, Light ON subiu 6,36% (a R$ 23,42). No front estadual, em relação às eleições, Góes destaca que as ações da Copel já tem se valorizado com a expectativa da saída do governador do Paraná, Roberto Requião. Já sobre a Cemig, ele diz que as ações ganharam impulso depois que o candidato ao governo de Minas e aliado à Aécio Neves, Antonio Anastasia, passou a liderar as pesquisas de intenção de voto. "Aécio não se intrometia muito na administração da Cemig, o que foi muito benéfico."

Ainda entre as altas, JBS ON subiu 4,29% (a R$ 7,53), após saírem rumores de que o grupo teria pedido à Justiça o fim de sua sociedade com o Grupo Cremonini. Depois de o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas Energia (TIME), Marco Antônio Almeida, defender o aumento da produção de biodisel no País, as units ON da Brasil Ecodiesel avançaram 4,4% (a R$ 0,95). Segundo Almeida, a intenção é diversificar a produção do combustível, que está muito concentrada na soja, conforme ele, além de revisar o percentual de adição de biodiesel ao óleo diesel.

No lado vendedor, a maior colocação foi alçada pelas units ON da LLX (14,91%, a R$ 9,19), ainda na esteira da finalização da negociação de ativos envolvendo a MMX e a empresa sul-coreana SK Networks. Petrobras PN perdeu (3,92%, a R$26,44) e as ON declinaram 2,68% (a R$ 30,19).

FONTE: Jornal do Comércio - Tatiana Gurjão - 20 de Setembro de 2010